29.7.10

eu, a cigarra, a formiga e todos os planetas

diz o dito popular que não adianta pedir desconto: na vida ninguém paga meia. sobre esse assunto, recebi hoje por e-mail o seguinte alerta astrológico: sol na casa 5, lua na casa 1. na prática, me explica o portal personare, isso significa que este é um período para eu refletir sobre a importância de vivenciar os prazeres da vida!

bem, se esse é um recado do cosmos, quem sou eu para contrariar?, pergunto a mim mesma nesta manhã ensolarada e tão propícia às aventuras de se viver. mas pondero. meu cotidiano imediato crava os dentes na minha consciência: há muito o que fazer, observe os prazos, mocinha!

e então me pego assim, vivendo o eterno dilema da cigarra e da formiga - essa chata imprescindível que, como diria o raulzito, só trabalha porque não sabe cantar. mas não adianta: quando o prazer está diante da gente, queremos mais e logo! quando é a dor que nos pega, o jogo se inverte.



ser feliz agora ou depois? aguentar sofrimentos antes e em prol de alguma recompensa dos deuses? presente e futuro estão em eterno diálogo nas mentes e corações humanos. negociamos o tempo todo com nós mesmos: poupar ou gastar? se jogar na balada ou dormir cedo? priorizar o trabalho ou os estudos? o prazer ou o dever?

as belezas fortuitas da vida atraem. mas ao calcular consequências com as quais não estamos dipostos a lidar, acabamos nos afastando de algumas delícias tentadoras. quando desejamos alguma coisa mas não tomamos uma atitude, estamos nos afastando do aqui e agora da vida.

a juventude, todos sabemos, não volta. e a velhice poderá ser longa, docemente ou não. construir o arco da vida de um período ao outro é uma missão revolucionária de todos os dias. pavimentar esse caminho em plena paz de espírito é uma tarefa que me parece improvável, senão impossível.

se por um lado a zona de conforto é agradável, por outro, a minha mente inquieta não tolera a acomodação. em outras palavras, o perfil "casado, fútil, cotidiano e tributável", como escreveu pessoa, não combina com a minha impulsividade vinte-oitona. o preço que o futuro irá cobrar, ninguém sabe.

mas como pontuou guimarães rosa, "o tempo é o mágico de todas as traições". se assim é, espero sinceramente que o sol, a lua, saturno, netuno, todos os planetas e as danadas da cigarra e da formiga que moram dentro de mim saibam fazer as contas direitinho, pois, da minha parte, entrei em cena absolutamente disposta a pagar a inteira =)

2 comentarios:

Anna K. Lacerda dijo...

'só sei que nada sei', e nesse (des)saber me entrego como águia em precipício. para sentir o vento, por fora e por dentro.
onde chegarei, não sei, mas ouso desconfiar que caminho torto nas linhas que acredito retas, e nelas me equilibro bamba na elegância de coração, não nos tropeços.
e se caio sou bola de borracha: num instante volto para as alturas, e de lá, nas brincadeiras com nuvens, choro chuva e rio sol... e o tempo é meu amigo!

adriana dijo...

Dilema, querida... faça o seguinte: trabalhe cantando, rs. De qualquer forma, a gente, tão poeirinha cósmica, não pode pensar muito, pois já dizia Leminski: assim se perderam muitos de sua geração, transformados em críticos ou professores de literatura... =)
beijos de festa, porque hoje é sábado!