12.6.12

banalizar o bom



eu não compareci a minha formatura no prezinho. o bolo do meu aniversário de 15 anos não teve nada de diferente. quando terminei a faculdade, na noite da colação de grau, em vez de usar toga, fui ao cinema. eu não tenho o hábito de frequentar natais em família. também me aborrece ir a festas que impõem determinado estilo de roupa ou comportamento.


há quem diga que sou chata, anti-social, do contra. mas o fato é que nenhuma solenidade me diverte e realmente não me sinto motivada ao ponto de comemorar datas destacadas no calendário. o dia dos namorados, por exemplo, acho meio brega. um pouco pelo consumismo, outro tanto pelo excesso de corações nas vitrines. 


digamos que sou menos pompa e mais circunstância. gosto é dos rituais do dia-a-dia. do batuque dos corações de verdade. de fazer um brinde à vida em plena mesmice de segunda-feira. de reunir toda a família para almoçar arroz e feijão numa quarta qualquer. de ler alguma coisa legal e anotar para dar de presente a uma pessoa amiga.


assim como nunca espero um momento apropriado para dizer eu te amo nem guardo roupas para vestir em ocasiões especiais, quero festejar páscoas e colar grau todos os dias. pular carnaval na sala em pleno agosto. postar um cartão natalino em abril. ou apenas me sentir à vontade para viver minha melancolia momentânea mesmo que seja dia de festa ou o mais importante feriado nacional.


o que eu estou falando é de desmistificar os dias santos. valorizar nossas datas queridas e celebrar a vida sem convenções, restrições, etiquetas. virar o ano quando sentir vontade, servir a melhor bebida sem razão aparente e banalizar os momentos importantes. ou simplesmente reverenciar uma coisa boa a cada dia.

- por que hoje é dia dos namorados e o comércio está em festa, resolvi publicar de novo este textinho escrito em julho de 2008.

6 comentarios:

Marcio Almeida Nicolau dijo...

Muito oportuna a republicação. Adorei a leitura. Que inveja de você, aliás! rs Que escrita fácil! Que leitura clara! Parabéns.
À propósito, também estou tentando, se quiser conferir:

www.espacointertextual.blogspot.com

Anna K. Lacerda dijo...

Sentimentos enlatados em prateleiras de supermercado. Aos montes, etiquetados. Quem dá mais? O $istema grita, berra, esperneia... O $istema não pede licença.
Eu no meu canto, apago a luz, tranco a porta e comungo, sem hóstia, suas ideias. A vida nasce do inesperado.

Beijo no nariz!

Dayanne dijo...

Também queria ser assim, desprendida de datas! Acho que vale tentar!
Gostei muito do texto.

bjo

ota dijo...

Nao preciso de dia dos namorados pra ir ao motel
Nem de dia das mulheres para reverenciá-las
Nem de dia do meio ambiente para para cuidá-lo
Nem de dia das mães para amá-la
Mas que bom o dia inventado de hj para te dar inspiração, e me proporcionar tal leitura. Lindo.
Alguém já dizia: nao pode viver saudavelmente aquele que segue as normas de uma sociedade doente...ou algo assim...Besitos!

Anónimo dijo...

sei não, uma namoradinha é coisa boa na vida, vale comemorar.
Já vi um outdoor criativo sobre a data: em letras grandes:

"No dia 12 dê pra seu namorado"

em letras bem menores:

presentes da loja tal...

que me levou a lembrar de um velhíssimo anúncio, se é que eles envelhecem mesm:
"neste natal dê instrumentos musicais, um presente que toca"

já disse o poeta: como é bom tocar um instrumento

(desculpe, tou falando demais...)

zeca

Cristal dijo...

Adorei. sou assim também