18.11.09

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juro

eu já te menti tantas vezes
e nem recordo de nenhuma.

mais pelas manhãs do que às tardes,
roubava teus sorrisos espontâneos
com meus olhares mais vagabundos.

havia verde e sol, da janela para fora.
já o lado de dentro, eu nunca soube ao certo
pois tua presença sempre embaralhava a cor dos tons.

e eu ia ficando meio zonza, viciada até o
o cheiro do cheiro dos teus ossos
por baixo da tua pele quente.

eu já te menti uma vez.
mas só me recordo estas duas..
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17.11.09

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itinerâncias negras

nesta quinta (19), às 19h30, tem abertura da exposição fotográfica do leopoldo silva e do gláucio dettmar no centro cultural da américa latina, em brasília. são imagens de comunidades quilombolas de diversos estados brasileiros. a curadoria é de ana queiroz e débora silva santos. para mais informações, clique na imagem abaixo. e nos vemos lá!





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13.11.09

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então flutuo

dou voltas arrastadas pelos lençóis.
tenho uma saudade enguiçada no meu peito.
levanto devagar, meio curvada pelo peso das lembranças.
percebo o tempo, sem preconceito de horas.
há uma chuva de estrelas no teto do meu quarto.
e eu não consigo mais acordar.
nem dormir.
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bem acompanhado


amizade, tesão, respeito, cuidado,
intensidade, calor, leveza, profundidade:
o amor nunca é só.
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psiu

tem dias
que o silêncio
aperta o passo
e passa apressado
pelas dúvidas que só
ele sabe abraçar.
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cambalhota

eu fui ficando cada vez mais rigorosa
e isso tomava bastante o meu tempo.
até que esqueci de brincar.

ainda bem
que depois
lembrei.


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passarinhos
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.o dia começa bem
quando você vem
com esta asa para
o meu lado
e voamos
levemente
acordados.
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2.11.09

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finados

uma vela para o vivo.
outra vela para o morto.

ao vivo,
leve luz aos deletérios,
guarde em saúde o seu corpo.

do morto,
acenda e queime as saudades,
eleve o amor aos mistérios
e resguarde nossos sonhos.
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Confesso

Dia destes quase senti inveja de mim. Era uma quarta-feira e o relógio digital do Parque Olhos d'água marcava 16:02. De tênis, top e short, em plena tarde de um dia comum de trabalho, eu estava lá. Era eu mesma, juro. Pronta para correr pelo menos meia hora, alongar o corpo mansamente, fazer meia dúzia de anotações mentais e, em seguida, me esbaldar sem pressa num coco bem gelado.

Sempre tive curiosidade de conhecer a Brasília de quem não cumpre expediente. Estou absolutamente convencida de que no horário comercial este lugar é outro. Conheço a cidade dos trabalhadores, que saem pela manhã de casa e retornam quando o dia escurece. Correm no Parque depois das 19h, com suas caras cansadas. Vão ao supermercado após as 21h e andam sempre apressados pelas ruas, especialmente nos intervalos de almoço, às voltas de agências bancárias com seus boletos atrasados nas mãos.

Mas no meio da semana os frequentadores das calçadas são diferentes. É uma gente leve, com frescor de quem acorda depois das 10h e lê alguma coisa enquanto escuta música. De quem toma banho após o almoço e sai para secar os cabelos na rua. São na maioria aposentados, estudantes, crianças, donas de casa. Alguns parecem tão ávidos que se diria que estão apenas de férias e por isso aproveitam ao máximo este cotidiano extraordinário. Outros, simplesmente não sei.

Fico tentando adivinhar o que faz esta gente que pode caminhar a passos lentos por aí, com seus corpos descontraídos, aparentemente sem urgências nem prazos a cumprir. Sempre desconfiei de que a vida realmente acontecia enquanto eu trabalhava o dia inteiro, mas não imaginava que fosse tão intensa. Só sei que é muito bom ter algum controle sobre o próprio horário e, melhor ainda, assumir sem culpa nenhuma que se tem tempo livre.

29.10.09

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vida inteira

se eu for infeliz,
será de verdade.
é tolerável:
pé direito baixo
para sonhos que
não alçam voo.
o que eu não posso
é com uma feliciade
média, fosca, rala.
- alimento para a cobiça.
o que me mata
é ser feliz
de mentira.
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