7.4.15

rigorosa


se você fosse assim todos os dias,
seríamos felizes para sempre. 

mas logo você fica fria
e esta fotografia vira apenas a promessa de um
passado recente.

#portoalegre, você é tão impiedosa!
sorte nossa que o amor é indulgente!

5.4.15

~ ímpar ~


rente ao corpo de iván
e à cintura de anna,
senti meus olhos
mergulharem no azul
do mar de havana.

ele tinha gosto de menta,
ela tinha cheiro de âmbar.
entre cumbias e mojitos,
fomos seis pés
descalços, pisoteando
a noite em chamas.

a lembrança dos nossos beijos
não cabem nos versos eu faço,
desconsolo de quem ama.
minhas mãos, mais teimosas,
me escrevem loucura em prosa
na solidão da minha cama.

...son recuerdos febris
de uma paixão doidivanas...

hoje - em alguma parte do mundo -
nos tocamos lá no fundo:
somos três ilhas cubanas...
margeadas pelo desejo.

pois que o desejo é um rio
- e tal qual uma fêmea no cio -
tem natureza oceânica.

30.1.15

zen buZINE


pois consegui tirar mais um pequeno sonho da gaveta. ontem saiu o primeiro lote (50 unidades) do zen buZINE, o mini-fanzine que comecei a produzir no final do ano passado, durante uma oficina do projeto feira além da feira, em porto alegre.


o zine ficou bem simples. e a ideia é esta mesmo. o formato é de apenas 1 folha a4 dobrada diversas vezes. já durante a oficina me veio a temática da cidade, suas buzinas, prédios, concretos, correrias... mas também das praças, estímulos culturais e oportunidades de trocas.

mais tarde - por coisas que talvez jung explique - percebi que esta temática da cidade tinha tudo a ver com o momento que estou vivendo. após alguns rolês por este mundão de minhas deusas, este ano finalmente decidi me assumir como moradora de porto alegre. 

não foi uma decisão fácil para mim, mas ela tem a ver justamente com a possibilidade de avançar rumo a uma vida mais tranquila, terapêutica & criativa. quero interagir com porto alegre. quero criar vínculos com suas ruas, intimidade com suas árvores, observar seus ritmos, ler sobre sua história e fazer amigos. 

então, esta é a proposta do zen buZINE =)

a meta é de que ele seja mensal, por todo 2015. minha ideia é oferecê-lo aos amigos e velhos desconhecidos. deixar em algumas caixinhas de correio, cestinhas de bici e pára-brisas de carros... 

espero que vocês curtam!












28.8.14

um amor

um amor de carne e alma
com mãos que declaram
despertam

apontam
acalmam


um amor de vaidade

que vacila
magoa
some
pula
teme, teme, teme


e esconde as mãos

17.7.14

relações autênticas

eu sou do tipo que acredita, sim, que podemos encontrar uma pessoa com a qual desejaremos passar o resto da vida. mas sou ainda mais romântica: acredito profundamente que cada um de nós pode criar a sua própria forma de viver o grande amor.

isso pode muito bem significar ficar casada e monogâmica por 30 anos, mas também pode significar ter dois ou três namorados simultaneamente. por vários anos. meses. ou semanas. aliás, o tempo assume dimensões infinitas quando o assunto é amor. 


outras maneiras interessantes de manter uma relação amorosa pode ser morar junto ou separado, dormir em quartos diferentes, levar relacionamentos abertos, poligâmicos, iô-iô, ardentes, pasmaceiros: nenhuma destas formas ou características de organização afetiva me parece melhor do que a outra. 

homem não é tudo igual.
mulher não é tudo igual.


se somos seres diferentes, porque nossas formas de se relacionar haveriam de ser iguais? temos o direito de realizar nossa própria história!

se tem uma coisa que me subtrai a vida é ter que caber em funções sociais devidamente catalogadas para agradar aos outros. quantas gerações ainda hão de desperdiçar suas vidas seguindo roteiros de amor pré-estabelecidos simplesmente por temer o novo?

vejo que a falta de referências alternativas é um bloqueio para a inovação. não ter modelos para se apoiar realmente gera muita insegurança. mas quantos de nós ainda se agarrarão em relações frustradas apenas porque “é assim que todo mundo faz”?

entendo que para muitos mudar isso não é uma tarefa fácil. pelo menos para mim não é. questionar a própria vida é exigente emocionalmente e reclama muita responsabilidade. mas como a vida é uma só e estamos aqui para aprender, desconfio que vale a pena.

trata-se simplesmente de abandonar padrões que não nos servem e de enxergar nossos relacionamentos amorosos como elos construídos por nós mesmos, e não como meros modelos instituídos por aspectos socioculturais. 


os riscos são evidentes e os custos são altos: afinal, ninguém sabe onde esta estrada vai nos levar.

mas podemos tentar. na pior das hipóteses, morreremos na praia. na melhor das hipóteses descortinaremos um mundo fascinante, onde o amor é constelado por dúvidas indissolúveis, onde o outro se mostra como realmente é e nos abre caminhos para sermos o que realmente somos! e tudo isso é um mistério!


eu valorizo muitíssimo as minhas dúvidas, mas também tenho um punhadinho de convicções. tipo, estabelecer relações verdadeiras, profundas e autênticas: esta oportunidade eu simplesmente não quero perder! 

imagem: Julï Lesage