21.8.09

meu celular é a lua

muita gente faz cara feia para o fato de eu não atender o celular. acontece que meu telefone vive no silencioso. ou seja: ele não toca e por isso quase sempre acaba esquecido na mochila, em cima de escrivaninhas, na casa de amigos e eventualmente em algum estabelecimento comercial por aí.

perco um celular por ano. essa é a média, mas já aconteceu de eu dar cabo em dois aparelhos em menos de um mês. por isso, na hora da compra, prefiro sempre aquele modelo mais baratinho, que liga, desliga e tem despertador. não preciso de um telefone que dance, cante e sapateie.

em geral, gosto de coisas simples e fiquei arrasada quando os tipos com visores coloridos invadiram o mercado de telefones. eu me dava muito melhor com os minimonitores de fundo cinza-chumbo e letras verdes. com o passar do tempo, no entanto, fui cedendo à evolução tecnológica e hoje estou plenamente satisfeita com o meu nokia de R$ 29,90.

o item mais moderno nele é uma lanterninha simpática que me ajuda a encontrar as chaves no fundo da bolsa. também uso muito o celular para enviar e receber mensagens escritas. a minha única bronca é quando ele toca. pode parecer estranho dizer isso em pleno século 21, mas acho celular muitíssimo incoveniente.

é o maior quebra-clima de todos os tempos. quando ele toca, raramente quem está do outro lado da linha tem a ver com o que você está vivendo naquele exato momento. então você tem que parar tudo, pedir licença para quem o acaompanha e entrar no universo do interlocutor...ah! taí uma situação que me dá preguiça.

claro, nem todo mundo consegue compreender essa minha limitação. os amigos mais chegados sabem que minha indisposição deriva muito mais da falta de hábito do que de carinho e atenção. ademais, eu quase sempre retorno as ligações - geralmente quando tenho tempo o suficiente para me concentrar no assunto e falar "de corpo presente".

nas relações de trabalho, naturalmente, quase nunca encontro o mesmo espírito de complacência. mas dou de ombros. não debito isso como um problema meu. já na vida amorosa, felizmente, não encontro resistência alguma.

dez vivas e mil estrelinhas para o meu namorado - sujeito esperto, sensível e antenado que, de uma maneira ou outra, sempre consegue se comunicar comigo sem a exigência de um aparelho telefônico como intermediário. e é especialmente para ele que dedico esta música aqui.


atualização em 05.09 - quinta-feira retrasada perdi o celular de novo. se alguém tiver um aparelho no fundo da gaveta e quiser reciclar o lixo eletrônico, aceito doações!

3 comentarios:

mixole xistoso dijo...

o celular é uma invenção do capeta
mas o capeta é o yang de deus
melhor um celular na mão
um msn no ar
um skype na veia

que um burocrático ramal

mas nada melhor que uma carta de amor
um torpedo de papel
uma sorriso na madrugada

tudo tem sua hora e vez

tatiana reis dijo...

Isso mesmo neguinha, sou das que deixa no silencioso e que filtra bem a hora de atender ou não. Tô com você e não abro..e esse celular da lanterninha foi o melhor aparelho que já tive....pena que roubaram.
=[

Maria Cláudia Cabral dijo...

Nanda,

Falava sobre isso hoje com uma amiga que gosta de estar de ''corpo presente''. A tecnologia, neste caso o celular, está aí para nos servir. Isto é, para estarmos 'onde' quisermos - territorializar ou desterritorializar, ''quando'' quisermos - no nosso tempo. Para falarmos ou não falarmos.

Maior dez para você que entendeu o espírito da coisa. Enquanto isso, na sala de justiça, muita gente já escravizou seu tempo e seu espaço ao tempo e ao espaço de quem liga.