28.3.13

brecha

dói meu estômago e não tenho fome. sem trabalho nem dinheiro, não há amigos. na verdade, estou me lixando para dinheiro. não posso comprar nada do que preciso. não posso competir com ninguém. meu inimigo mora em mim. e estamos nós dois aqui, eu e meu inimigo, sozinhos, sentados no piso frio do apartamento.

sou eu que me saboto e vou criando necessidades para suprir o meu vazio de existir. muito cuidado, eu recomendo. porque quando a gente vê, já era. quando dei conta de mim estava tão colocado na engrenagem que parecia que tudo ia ruir se eu saísse. então eu fiquei no mesmo lugar, quietinho, paralisado de medo.

e caí.


caí
até
onde
não

mais
chão
para
cair.

não consigo me mexer. me sinto rasgar em pedaços. estou imóvel e sei que choro porque vejo as lágrimas molharem o piso. meu corpo está sulcado de solidão e descobri que não importa o que eu simule querer; poder, status, socialismo, religião ou razão, eu só quero amor.


imagem: boligán

4 comentarios:

mario dijo...

seus textos são muito animais!

fernanda barreto dijo...

animal é...
( ) bom
( ) ruim
( ) selvagem
( ) nda

alguém sabe?

=)

Anita dijo...

hoje eu reclamava a um colega que ando muito sozinha, que sinto falta de amar gente e ser amada. ele disse que eu tinha que aprender a ser só, que tentar solucionar a solidão com as pessoas é fuga de si.
numa boa, se for pra sentir o amor e compartilhar isso com alguém, fujo de mim até pra plutão.
é minha escolha. quero viver o amor, do jeito humano mesmo, nada incondicional, trancedental ou coisas de budas e jesuseseseses...
o olhar, o sorriso, o toque, a troca, isso é o que quero.
valeu te ler, gracias chica!

Grã dijo...

doi-me a fome
e não tenho estômago
prá mais trabalho ou dinheiro

não há amigos, não há verdades,
fui passageiro
de uma felicidade

foi-se o caminho,
fez-se a penumbra,
tua presença, já não me alumbra

paralizado, eu me abandono
vejo, acordado,
ruir um sonho.

E ainda escutava os barulhos de uma realidade recente, enquanto recolhia-me, os cacos, numa mala velha e puída; e não havia mais nada além da porta que agora era só de saída... eu só queria amor, mas eu não sabia.