12.5.13

você é muito exigente!


a primeira vez que ouvi isso foi assim: "mas, fernanda, você já se deu conta de que é uma pessoa muito exigente, né?". não, eu nunca havia me dado conta. a pergunta foi proferida faz anos, durante uma sessão de terapia, pelo adriano facioli. de pronto, parecia até piada, mas como ele é um cara muito importante no meu desenvolvimento humano, resolvi dar-lhe ouvidos e levar o questionamento a sério. 

a primeira atitude foi fazer enquetes com os amigos. "hei, você acha que eu sou muito exigente?" umas mais delicadas que as outras, todas as pessoas disseram que sim. isso foi uma surpresa para mim! pudera, uma característica básica das pessoas exigentes, descobri depois, é que elas acreditam cegamente que estão fazendo e cobrando de menos - de si e dos outros. eu sempre pensei que eu era uma pessoa de boníssima, megaflexível, de fácil aceitação. 

não sou. quero sempre ser o melhor que eu puder. tenho raiva das minhas limitações e quero transcendê-las com toda minha energia. esse meu desejo se espraia especialmente no âmbito das minhas relações mais próximas e íntimas. com o público em geral costumo ser bem mais benevolente, o que acaba fazendo com que a maior parte das pessoas não note esta minha característica. mas já entendi que não é fácil conviver comigo. 

o bom é inimigo do ótimo, acreditamos, os exigentes. e, claro, isso tem implicações graves na vida - tanto boas quanto ruins. no entanto, descobrir-me exigente não me fez uma pessoa menos exigente. no fundo, não acho que isso seja um defeito irremediável. só é preciso dosar melhor. realmente não aceito que as coisas sejam pela metade. eu quero inteiro. quero a vida inteira, plena. 

mas o insight trazido pelo adriano à minha história me levou a ter uma relação um pouco mais amigável com as barreiras pessoais e alheias. busco ser uma exigente cada vez mais consciente e menos inconsequente. afinal, como posso saber o que me basta se eu não for além? quem poderia traçar as linhas da suficiência? quem testa os limites por mim? 

no meu jeito de levar a vida, é preciso ir longe demais para descobrir até onde se deve ir. quero salvar todas as minhas dúvidas de cada uma das minhas certezas e ir adiante. quero saber-me pequena, ínfima e acreditar que posso posso mais. podemos, todos. 

sinceramente, eu não vim ao mundo a passeio. vim aprender, compartilhar, amar e ser feliz. e essa é uma equação que não se resolve na teoria, é na prática do dia-a-dia, errando e acertando, correndo riscos. no final das minhas contas, o saldo é positivo, mas tem sempre um aviso no vermelho, me apontando que apenas os sonhos e a insatisfação me fazem caminhar.


imagem: rose wong

3 comentarios:

Maria Cláudia Cabral dijo...

eu e você. você e eu.
sempre me falam isso.
acho que sou. sou.
mas não consigo mudar isso.
e não sei se quero.

Alonso Nunes Coelho dijo...

Bárbaro Nanda....Parabéns! Ser feliz não é exigência em excesso. .. deveria ser obrigação para humanidade!!!!

Unknown dijo...

Estou ainda tentando entender porque fui chamada de exigente !!! Afinal eu sou muito detalhista sim e falo o que penso !!!! Acho que os conceitos do mundo moderno não suporta mais o que é certo !!! Se pedirmos mais, o correto, pois sempre preciso de msis, isso é o que nos impulsiona para o melhor, somos taxados com exigentes, como se ser exigente fosse uma doença !!!Não ser exigente é querer mais, é querer o melhor, é amar o que faz !!!!!! ,