11.1.08

disposta ao fogo

pra ti, meu amor,
trago a mesa sempre posta.
flores, taças, toalhas,
talheres bem dispostos
e velas incendiárias
(pra quando me deres as costas).
pois tão certo quanto a fome
é teu desgosto ao meu tempero
- insaciável desespero
de um apetite sem resposta.

com a memória retida
em tanta coisa não dita,
vou da sala a cozinha,
dando facadas no tempo,
cuspindo álcool no chão.
medito enquanto fito
as labaredas em ascensão,
o cheiro acre pela casa,
o colorido dos teus trapos,
teu corpo queimando inteiro
e eu jogando guardanapos.

4 comentarios:

lu lapan dijo...
Este comentario ha sido eliminado por el autor.
lu lapan dijo...

estoy aca!

Anónimo dijo...

lindo isso!
show pirotécnico!

carol dijo...

putz.
eu me identifico muito com o que vc escreve. Cada poema teu conta um pedacinho da minha vida. Muito legal.